Mulheres na Ciência


Quando se pensa em grandes nomes da ciência, geralmente as mulheres não são lembradas. Isso devido à falta de estímulo para que ocupassem essa área do conhecimento.

Ainda assim, existem mulheres cientistas que se destacaram por contribuir com estudos e descobertas muito importantes para toda a humanidade. Vou citar algumas dessas mulheres incríveis:

1. Marie Curie

 

A polonesa Marie Curie nasceu em Varsóvia em 7 de novembro de 1867. Seu pai era professor de física e matemática.

Com dificuldade, Marie conseguiu se formar em física em 1893 e em matemática no ano seguinte, seguindo os passos do pai.

Seus estudos foram de enorme importância para a ciência, pois constatou a existência do polônio e do rádio, elementos químicos que contribuíram para a criação de tratamentos médicos como a radioterapia.

Marie Curie recebeu em 1903 o Prêmio Nobel de Física, se tornando a primeira mulher a alcançar tal homenagem.

 

2. Florence Sabin

Florence Sabin nasceu nos EUA em 9 de novembro de 1871. Sua atuação foi na medicina, onde fez investigações e descobertas importantes na área da anatomia, sistema linfático e sanguíneo.

Formou-se médica em 1900 e no ano seguinte publicou Um Atlas da Medula e Mesencéfalo, livro que se tornou referência para a medicina.

Depois que se aposentou, Florence dedicou sua vida ao ativismo a favor da saúde pública em seu estado, o Colorado.

3. Nise da Silveira

A nordestina Nise da Silveira foi uma estudiosa no campo da psiquiatria que revolucionou os tratamentos de saúde mental no Brasil.

Nascida em fevereiro de 1905 em Maceió, Nise passa a viver no Rio de Janeiro a partir de 1927. Trabalhou no Hospital do Engenho de Dentro, no subúrbio carioca e lá implementa recursos terapêuticos usando a arte e a interação com animais.

Seu legado é importante, pois, através de muita luta e enfrentamento, consegue trazer um olhar mais humano e eficaz à psiquiatria e aos pacientes.

4. Sônia Guimarães

Uma mulher cientista com reconhecimento na atualidade é Sônia Guimarães. A brasileira nasceu em 1957 no interior de São Paulo é a primeira mulher negra doutora em física do país.

Sônia também foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira como professora de física no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica).

Se formou em física pela Universidade Federal de São Carlos e especializou-sem em física moderna.

Além das contribuições no ensino de física, ela também atua como ativista pela educação de pessoas carentes e na luta feminista.

 

5. Hypatia de Alexandria

Considera-se Hypatia a mais antiga matemática do mundo. Nascida em Alexandria, no Egito, provavelmente entre 351 e 370 d.C, Hypatia foi uma mulher extremamente inteligente que se dedicou à filosofia, astronomia e matemática. eve incentivo do pai, Teón, também professor e matemático. Assim, a jovem conclui os estudos e torna-se professora e diretora da Academia de Alexandria.

Infelizmente sua obra foi perdida, assim como de outros estudiosos do período, mas sua relevância está no mapeamento e movimentação dos astros.

A morte de Hypatia foi dramática. Por volta de 415 d.C, a professora foi alvo de extremistas religiosos que viam os estudos científicos como maléficos. Assim, foi linchada e assassinada em espaço público.


6. Augusta Ada Byron 

Filha do poeta Lorde Byron, Ada Byron é considerada a mãe da computação. Desde muito nova já demonstrava ter grande domínio de diferentes áreas e, aos 17 anos, se comunicava por cartas com Charles Babbage. Ele tentava desenvolver uma máquina analítica foi Ada quem desenvolveu a linguagem para o projeto. As notas escritas por Ada são consideradas o primeiro algoritmo criado para ser usado em um computador, por isso ela é considerada a primeira pessoa a programar em toda a história.

 

7. Katherine Johnson

 

A história de Katherine Johnson inspirou o filme “Estrelas além do tempo”. Ela precisou quebrar dois preconceitos: de ser mulher na ciência e mulher negra como cientista. Katherine trabalhou na NASA durante 33 anos e ao longo da sua trajetória atuou como computador humano (realizando cálculos), foi promovida a líder de cálculos e participou de equipes com missões para a Lua e Marte.

 


8. Gertrude Bell Elion 

 

A bioquímica estadunidense Gertrude B. Elion desenvolveu medicamentos utilizados no tratamento de leucemia, AIDS e herpes. Ela também foi responsável pela descoberta de novos princípios de quimioterapia. Devido à sua grande contribuição, ganhou o prêmio Nobel de medicina em 1988.

 


9. Chien-Shiung Wu

 Chien-Shiung Wu nasceu na China e se formou em matemática, mas atuou como pesquisadora na área de física. Se mudou para os Estados Unidos com uma amiga para dar continuidade aos seus estudos. Se especializou e desenvolveu pesquisas no campo da física, tendo sido convidada, em 1944, a participar do Projeto Manhattan, que produziu as primeiras bombas nucleares. Possui pesquisas importantes, tendo como destaque o trabalho sobre fissão nuclear, a criação do Modelo Padrão, e estudo sobre as mudanças moleculares na deformação da hemoglobina causada pela anemia falciforme.

 

10.  Rosalind Franklin 

 

Desde bem jovem, Rosalind Franklin (1920-1958) sabia que queria seguir uma carreira na ciência. Em 1945, começou sua carreira científica depois de conquistar o doutorado em química pela Universidade de Cambridge (Reino Unido). 

Sua pesquisa contribuiu para o entendimento do DNA. De acordo com o Acnur, ela foi capaz de tirar uma fotografia por raios-x mostrando a dupla hélice das moléculas de DNA pela primeira vez. 

"Outro pesquisador no mesmo laboratório, Maurice Wilkins, mostrou a imagem para dois colegas e juntos publicaram a descoberta na revista Nature. Em 1962, esses três pesquisadores receberam o Prêmio Nobel pela descoberta da dupla hélice do DNA, mas Franklin tinha morrido quatro anos antes, vítima de um câncer de ovário", explica a agência da ONU.

 

11. Bertha Lutz

Bertha Lutz foi uma cientista e bióloga especializada em anfíbios. Filha de Adolfo Lutz, referência da zoologia médica no Brasil, estudou na Universidade de Paris. Descobriu uma nova espécie de sapo e, em 1919, se tornou pesquisadora do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Para além da ciência, participou da Conferência das Nações Unidas em São Francisco, em 1945, onde lutou para que a igualdade de gênero fosse incluída na Carta das Nações Unidas.

 

12. Jaqueline Goes e Ester Sabino

A biomédica Jaqueline Goes de Jesus e a imunologista Ester Sabino ficaram conhecidas por terem sequenciado o genoma do novo coronavírus  24 horas após a confirmação do primeiro caso de Covid-19 no Brasil. Jaqueline desenvolve pesquisas na área de arboviroses emergentes e faz parte de um projeto de mapeamento genômico do vírus Zika no Brasil. Ester é pesquisadora do Laboratório de Parasitologia Médica, com trabalhos sobre HIV, doença de Chagas e anemia falciforme. 

 

13. JOHANNA DOBEREINER


Johanna nasceu na antiga Tchecoslováquia, porém fugiu com a família após o final da Segunda Guerra Mundial e foi naturalizada brasileira. Foi uma das únicas brasileiras indicadas para um Prêmio Nobel, sendo indicada para o de Química em 1997. O seu trabalho mais famoso revolucionou a produção de soja no nosso país. 

 

14. Alice Augusta Ball

 

 Ao finalizar a graduação, Ball recebeu propostas de frequentar o mestrado na University of Hawai, ela aceitou a posposta, indo para o Havaí realizar seu mestrado em Química. As pesquisas que foram desenvolvidas por Ball durante seu mestrado tratavam sobre composição química e princípios ativos das raízes de Kava (Piper methysticum).

   Além de trabalhar com as raízes de Kava, foi na Universidade do Havaí onde Alice iniciou seus estudos relacionados ao óleo de Chaulmoogra e suas propriedades. O óleo já antes utilizado no tratamento da Hanseníase não era aceito corretamente pelo organismo pois não era solúvel em água. Pesquisando maneiras novas de utilizar o óleo, a cientista revolucionou com estudos da composição do óleo e sobre a esterificação de seus ácidos graxos, obtendo uma solução solúvel e injetável. 

   Alice Ball morreu ainda jovem, em 1916 aos 24 anos, a causa da morte é desconhecida, mas supõem que seria um acidente de trabalho em uma aula pratica, na qual Alice inalou gás cloro. 

 

15. ESTHER LEDERBERG

 

A cientista ficou conhecida como a pioneira da genética de bactérias. Mal sabia ela

que seus estudos teriam tantos desdobramentos e salvariam muitas vidas. A primeira grande descoberta de Esther Lederberg foi o vírus Fago Lambda.  As contribuições de Esther não ficaram restritas à descoberta do Fago Lambda. Ela criou também um modo de estudar mutações em bactérias chamado placa réplica. Seu novo método agilizou o estudo das mutações de bactérias e com isso permitiu que sua equipe estudasse a resistência das bactérias aos antibióticos e, por consequência, provar que elas podem sofrer mutações espontaneamente. Além disso, demonstrou que algumas bactérias podem ser  resistentes aos antibióticos antes mesmo de entrarem em contato com eles! Esther era muito bem humorada e inteligente, gostava de contar histórias, mas ao mesmo tempo era discreta. Os estudos que ela desenvolveu com as
bactérias renderam ao seu marido Joshua Lederberg o Prêmio Nobel de Medicina, em 1958. Dizem que em seu discurso, no dia da premiação, ele não mencionou a participação de Esther nas pesquisas nem tampouco a agradeceu.

 

16. Mary Anning


Ela é uma “caçadora de fósseis”, a primeira paleontóloga.  

O interesse de Mary pela paleontologia surgiu por influência do pai. Ele trabalhava como marceneiro, mas procurava fósseis na praia durante os tempos livres. A família era muito pobre e a venda dos fósseis que encontrava garantia uma renda extra para a casa. Após a morte dele, Mary e o irmão continuaram com a prática.

Em 1811, muito devido às crenças do cristianismo, acreditava-se que tinham fósseis apenas de animais que ainda existiam, e não que já haviam sido extintos. Mary, então com 12 anos, encontrou um crânio e vértebras de um animal. Depois, descobriram que se tratava do primeiro vestígio de um ictiossauro, um “peixe-lagarto” que viveu entre 248 e 65 milhões de anos atrás. Foi uma descoberta que mudaria as visões de mundo da época!

17. Nettie Stevens

A mulher que descobriu que os cromossomos X e Y determinam o sexo. Em 1905, ela percebeu que o bicho-da-farinha ou tenébrio macho possuía um espermatozóide carregando um cromossomo X ou um cromossomo Y, já fêmeas possuem óvulos apenas com cromossomo X.

Dessa forma, fêmeas só poderiam passar para seus descendentes cromossomos X, enquanto machos poderiam passar tanto o X como o Y. Concluindo que o condicionamento biológico do sexo deveria ser baseado nos cromossomos, e os machos que seriam responsáveis por essa determinação. Na época, a teoria mais aceita era a de que o sexo seria determinado pela fêmea ou por fatores ambientes e, por isso, poucos prestaram atenção aos seus achados.


18. ADA LOVELACE

No início do século XIX nasceu a cientista inglesa Ada Lovelace. Durante a sua vida, ela se dedicou aos cálculos matemáticos e também à escrita. Dessa forma, ficou conhecida por ter desenvolvido o primeiro algoritmo que foi processado por uma máquina — ou seja, ela foi a primeira programadora da História.

Seu pai foi o escritor Lord Byron, um poeta reconhecido na literatura. Mas o gosto pela matemática foi incentivado pela sua mãe. Apesar de ter tido um trabalho tão importante, Lovelace só ganhou visibilidade depois que Alan Turing a citou. 


19. JANE GOODALL

Jane já foi mundialmente considerada como a maior pesquisadora de chimpanzés. Seu trabalho com os primatas no Parque Nacional de Gombe Stream, na Tanzânia, era estudar o comportamento, as interações familiares e sociais de chimpanzés selvagens e como eles eram semelhantes aos humanos. 

Além de seus estudos com os primatas, ela também luta para a proteção animal e é fundadora do Instituto Jane Goodall.

20. HEDY LAMARR

Sabia que há uma criação que você utiliza todos os dias e provavelmente não sabe que foi inventada por uma mulher? Hedy Lamarr criou o Wi-Fi e era uma mulher multitalentosa que fez diversas invenções no campo das comunicações — além de também ser atriz e cineasta.

No período da Segunda Guerra Mundial, Lamarr inventou um aparelho que fazia interferência em rádios que era usado para despistar os radares nazistas. Mesmo sendo uma grande invenção, o Conselho Nacional de Inventores rejeitou a ideia — que só passou a ser usada em 1962. No ano seguinte, a cientista criou as conexões Wi-Fi e CDMA.

 21. Tatiana Sampaio


Tatiana Lobo Coelho de Sampaio é uma bióloga brasileira reconhecida por suas pesquisas em biologia celular e biologia regenerativa, e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Linha de pesquisa:

  • Atua no estudo da matriz extracelular e lamininas — proteínas que estruturam tecidos e influenciam a comunicação entre células.

  • Desenvolveu uma forma modificada de laminina chamada polilaminina, que vem sendo estudada como um agente terapêutico para promover a regeneração de tecidos nervosos, especialmente em lesões na medula espinhal.

Relevância atual:

  • Sua pesquisa com polilaminina ganhou destaque em 2026 devido à possibilidade de recuperação de movimentos em pessoas com lesões medulares, despertando grande atenção da mídia e da sociedade.

  • Tatiana tem sido mencionada em listas de impacto científico e entrevistas refletindo sobre sua trajetória e o potencial transformador de seu trabalho.

Contexto comunitário:

  • Sua pesquisa tem gerado debates públicos sobre inovação científica no Brasil, com repercussão além da academia. Alguns relatos recentes também destacam atenção nas redes sociais e na cultura popular em torno de seus resultados de pesquisa — embora perfis atribuídos a ela em redes sociais nem sempre sejam oficiais. 





 Fonte Principal:  Livro 101 Mulheres Incríveis que Transformaram a Ciência 

Virgínia Samôr

Bacharel, licenciada e pós graduada em Ciências Biológicas pela UFV e possui Mestrado Profissional em Ensino de Biologia pela UFJF.

Nenhum comentário:

Postar um comentário