Breve histórico da Genética: das ideias antigas à ciência moderna
Desde a Antiguidade, os seres humanos buscam explicações para a semelhança entre pais e filhos. Muito antes da Genética se tornar uma ciência, diferentes povos criaram teorias para explicar a hereditariedade.
Na Grécia Antiga, filósofos como Hipócrates acreditavam que todas as partes do corpo liberavam pequenas “sementes” que se reuniam no sêmen e no sangue, formando o novo ser. Já Aristóteles defendia que o sêmen masculino continha a “forma” do indivíduo, enquanto o sangue menstrual feminino fornecia a matéria-prima para o desenvolvimento do embrião.
Durante os séculos XVII e XVIII, surgiu a teoria da pré-formação, segundo a qual o ser humano já estaria completamente formado em miniatura dentro dos gametas. Essa ideia ficou conhecida pela imagem do homúnculo, um pequeno “homem” que estaria dentro do espermatozoide ou do óvulo, apenas crescendo ao longo do desenvolvimento. Hoje sabemos que essa teoria está incorreta, mas ela teve grande influência no pensamento científico da época.
No século XIX, a ciência começou a se afastar das explicações filosóficas e avançou para a experimentação. Entre 1856 e 1865, o monge Gregor Mendel, ao estudar ervilhas, demonstrou que as características hereditárias eram transmitidas por unidades discretas, hoje chamadas de genes. Suas descobertas deram origem às Leis da Hereditariedade, estabelecendo Mendel como o “pai da Genética”.
No início do século XX, os trabalhos de Mendel foram redescobertos, e os cientistas passaram a associar os genes aos cromossomos, dando origem à Teoria Cromossômica da Herança. Pouco depois, experimentos mostraram que o DNA era o material genético responsável pela transmissão das informações hereditárias.
Em 1953, Watson e Crick, com base nos dados obtidos por Rosalind Franklin, descreveram a estrutura do DNA em dupla hélice, o que impulsionou a Genética Molecular. A partir desse marco, foi possível compreender como o DNA se replica, sofre mutações e controla a produção de proteínas.
Atualmente, a Genética envolve áreas como engenharia genética, biotecnologia, genética forense, medicina personalizada e edição gênica, permitindo avanços no tratamento de doenças, na produção de alimentos e no entendimento da evolução e da diversidade biológica.

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