Ligação gênica



 Dois ou mais pares de genes alelos localizados em diferentes pares de cromossomos homólogos segregam-se independentemente. Portanto, esta é a condição de validade da segunda lei de Mendel.

Quando dois ou mais pares de genes alelos estão localizados em um mesmo par de cromossomos homólogos, eles não obedecem à lei da segregação independente. Afinal, durante a meiose irá haver uma tendência de que esses genes permaneçam unidos, quando o par de homólogos se separar, como mostra a figura abaixo.
Quando dois ou mais pares de genes alelos se localizam em um mesmo par de cromossomos, dizemos que eles apresentam ligação gênica ou  linkage. No entanto, há um fenômeno capaz de alterar essa tendência de união. É a permutação gênica (ou crossing-over), troca de fragmentos entre cromossomos homólogos, que pode acontecer na prófase da primeira divisão da meiose.
A ligação gênica pode ser denominada de completa, quando não ocorre recombinação gênica, ou parcial, quando ocorre a recombinação gênica.
Recombinação gênica, permutação ou crossing-over

A recombinação gênica é um processo natural e de grande importância, pois permite o aumento da variabilidade genética dentro da espécie. Também chamada de permutação ou crossing-over, ela ocorre durante o processo de divisão celular denominado meiose, processo esse que ocorre na formação, por exemplo, dos gametas humanos.

Na recombinação gênica ocorrem quebras nos cromossomos e trocas de pedaços entre as cromátides homólogas. Essas quebras podem ocorrer em qualquer ponto ao longo do cromossomo e com igual probabilidade. Assim, quando falamos em genes ligados, quanto maior a distância entres eles, maior a chance de recombinação gênica, pois existem muitos pontos possíveis para que ocorra a quebra.


OBS: A taxa de recombinação é diretamente proporcional a distância entre os genes no cromossomo, ou seja, é inversamente proporcional à proximidade entre eles.

A porcentagem, frequência ou taxa de permutação ou de recombinação entre os genes é determinada pela porcentagem dos gametas que apresentam novos arranjos gênicos e varia entre 0% e 50%. Esse valor é também proporcional à distância entre os gametas no cromossomo e, por convenção, determinou-se que 1% de gametas recombinantes é igual a uma unidade de recombinação (UR), um morganídeo (em homenagem ao geneticista Thomas Hunt Morgan) ou centimorgan (cM). Os descendentes que apresentam os mesmos fenótipos dos pais são denominados de tipos parentais, já os que apresentam fenótipos diferentes são denominados de tipos recombinantes.

Uma forma de indicar a posição relativa dos genes é com uma nomenclatura habitualmente utilizada pela química orgânica, quando temos genes ligados com um alelo dominante e um recessivo em cada cromossomo (Ab/aB) denominamos de fase de repulsão ou configuração trans, por outro lado, quando nos cromossomos estão ligados os alelos dominantes ou recessivos dos dois genes (AB/ab) denominamos de fase de atração ou configuração cis.


MAPA GÊNICO:

Mapa genético, mapa cromossômico ou mapa de ligação é uma representação gráfica das distâncias entre genes e de suas posições relativas em um cromossomo. Essa distância é calculada a partir da porcentagem de permutações (porcentagens de genes recombinantes produzidos em cruzamentos) – ou taxa de crossing-over entre eles. A unidade de medida utilizada é chamada de “morganídeo”.
Para se obter um mapa genético é preciso levar em consideração que quanto maior for a taxa de recombinação gênica, maior será a distância entre os genes e vice-versa. Vale lembrar que, quanto maior a distância entre os genes, maior a possibilidade de haver crossing-over.
Ex:
Porcentagem de recombinação entre genes A e B: 19%
Porcentagem de recombinação entre A e C: 2%
Porcentagem de recombinação entre B e C: 17%
A distância entre A e B será de 19 morganídeos; A e C, de 2 morganídeos e B e C, de 17 morganídeos:




Virgínia Samôr

Bacharel, licenciada e pós graduada em Ciências Biológicas pela UFV e possui Mestrado Profissional em Ensino de Biologia pela UFJF.

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